O Setor Varejista no Brasil

O setor varejista de vestuário no Brasil é um dos mais relevantes da economia brasileira. Segundo dados da Euromonitor, este segmento atingiu um volume de vendas R$93 bilhões em 2015, representando 2,54% do PIB de serviços do Brasil no mesmo ano. Entre 2010 e 2015, o mercado de vestuário no Brasil apresentou crescimento de 6,3% ao ano, motivado principalmente pela combinação de diversos fatores como o aumento do emprego formal, do poder de compra da população e da disponibilidade de crédito para o consumo.

O crescimento da receita nominal de vendas no comércio varejista de vestuário também pode ser notado pela expansão do número de shopping centers no Brasil, principal localização de nossas lojas. O número de empreendimentos passou de 351 para 538 de 2006 a 2015, representando um aumento de 53%, enquanto o faturamento do setor de shopping centers cresceu 203% no mesmo período, passando de R$50 bilhões para R$152 bilhões. A previsão da ABRASCE é que o número desses empreendimentos continue com forte expansão, com inauguração de 30 novos shopping centers em 2016.

O setor varejista de vestuário brasileiro tem um alto nível de fragmentação, composto principalmente por pequenas empresas e lojas varejistas locais, as quais muitas vezes possuem pouca escala, pequena base de fornecedores e baixa eficiência operacional. A maior parte do mercado concentra-se em pequenos empreendimentos locais espalhados pelo país. Segundo dados da Euromonitor, os cinco maiores varejistas do segmento de vestuário e calçados brasileiro detêm cerca de somente 19% de participação de mercado.

Em termos de faturamento, de acordo com o "Anuário Valor 1000", publicado pelo jornal Valor Econômico, edição de 2015, somos a maior empresa do segmento de vestuário de alto padrão no Brasil, com receita líquida cerca de 28% superior à segunda maior empresa, com base no período de nove meses findo em 31 de dezembro de 2015.

O segmento de lojas de vestuário de alto padrão no Brasil é caracterizado pela presença limitada de competidores internacionais e ampla dominância de competidores nacionais. A presença de concorrentes multinacionais no Brasil é restrita devido a uma série de barreiras de entrada, dentre as quais se destacam, (i) relacionamento com shopping centers, (ii) espaço disponível em shopping centers, (iii) dificuldades logísticas e de distribuição, (iv) ampla presença do canal multimarcas, (v) arcabouço fiscal complexo, (vi) volatilidade taxa de câmbio, (vii) calendário de coleções invertido com relação ao hemisfério norte, (viii) tributação sobre a importação de produtos têxteis e (ix) complexidade de adaptação dos sistemas operacionais à realidade brasileira.

O Brasil tradicionalmente não possui grandes redes estabelecidas de lojas de departamentos com capacidade de distribuir produtos com marcas de terceiros. A distribuição de produtos de vestuário e correlatos no Brasil está restrita a lojas dedicadas (próprias ou franqueadas) a uma marca ou a pequenas lojas locais multimarcas que vendem produtos de terceiros. Essas lojas multimarcas não formam uma rede, ao contrário, são usualmente detidas independentemente por um proprietário individual (famílias ou pessoas físicas). Embora formem um relevante canal de distribuição de produtos de alta renda, atingir esta rede demanda um grande desafio de crédito, organização e gestão de uma abrangente estrutura logística com capilaridade regional e presença nacional.

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